Azul Rodrigues é dessas artistas que nos fazem ter orgulho de trabalhar com cultura e artes plásticas.

Jovem, dona de um sorriso doce e convidativo, ocultou, apenas por alguns instantes, toda a potência física e a entrega sentimental que percebemos em seus trabalhos. Mas os minutos iniciais de conversa foram seus delatores e um espírito inventivo de artista surgiu, maduro e confiante, ainda que algumas palavras pudessem simular o contrário.

Apreciar as fácies do mundo, traduzidas em algumas imagens, ocorreu em longo percurso, minucioso, lento e instigante, pois a arte de Azul Rodrigues está para além do puro Expressionismo e dos conhecidos conceitos psicanalíticos de catarse. Tem algo que sutilmente nos evoca o corpo rígido de ossos, carnes e vísceras. No entanto, estejamos atentos, a matéria física poderá desaparecer caso direcionemos nossos interesses para o que a artista nos transmite em linhas, em cores e em vazio.
Nossos olhos a investigar outros olhares. O corpo enquanto fragmento divino, sensações múltiplas feitas de éter, mas intensas como somente podem ser as grandes criações.

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