15 é número sem vergonha.
Passeia descompromissado com o tempo, indiferente às gentes e suas vontades.
Aos 15 anos minha filha foi passarinhar, retinindo sua linda voz no Wiener Konzerthaus, em Viena.
Em um certo 15 nasceu Letícia.
Noutro, Leonardo da Vinci.
Bodas de Cristal celebra-se quando o casal arrasta 15 anos se desacorçoando e se amando. .
O tal sujeito, o 15, ainda foge feito chuva no mês de agosto, quando a memória falseia detalhes que não me convêm ter esquecido: O Quinze (de Rachel de Queiroz) e os meus 15 anos, quando pensava e agia como se 30 tivesse.
Mas, como número também marca tristezas no calendário, registrou em 15/8/1909 a morte de Euclides da Cunha… .
Acalentando a expressão popular, eu cá com meus botões, tenho pensado nos 15 dias de reclusão em casa, que completarei amanhã.
– “Ah! Mãe…o problema é que você tem muitos botões…” Costuma redarguir minha filha.
E como tantos, ao fatiar em porções meu tempo útil e inútil, medito a respeito da frase do finado e já mencionado Euclides: “Viver é adaptar-se”.
Habituar-se aos botões e aos tristes eventos da existência.
Quiçá tenha a sorte, desta vez, de evitar que o 15 procrie, engravide os dias.
A vida, logo adiante, me aguarda ansiosamente.